Perco o amigo, mas não perco a piada

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Perco o amigo, mas não perco a piada

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Se senso de humor for rir enquanto alguém ridiculariza outro alguém com a desculpa de que “estava apenas brincando” então eu não tenho o menor senso de humor. Para mim isso é falta de respeito, beleza, gentileza e temperança.
Já não é a primeira vez que escrevo sobre isso e se escrevo é porque sinto, sinto muito esse tipo de atitude.
Sinto pena do que ridiculariza, pois o vejo como um ser errante que precisa pisar no outro para se sentir bem dentro da própria pele e tristeza pelo ridicularizado que na maioria das vezes faz cara de quem não entendeu “a brincadeira” ou se isola e se consome na vergonha que fora exposto.
Nunca entendi direito o ditado “perco o amigo, mas não perco a piada”. Será que os adeptos dessa filosofia percebem o quão são cruéis às vezes com suas brincadeiras e piadas ou são apenas seres inocentes cheios de bom humor? Ou será que esses brincalhões são apenas o reflexo da violência que um dia sofreram com esse mesmo tipo de brincadeira/ piada?
O que eu realmente não entendo é para quê machucar alguém – tendo plena consciência do que se está fazendo – e depois dizer: “to brincando, heim?” O porquê talvez seja mais fácil de compreender: baixa auto-estima e necessidade de rebaixar o outro para que o próprio ego se sobressaia.
Mas dizer “é brincadeira” não anula o mal-estar gerado na pessoa exposta a uma piadinha!!! Tampouco a maldade de alguns casos...Ou não é maldade dizer para uma pessoa gorda cheia de complexos que ela pode quebrar a cadeira da praia caso se sente?! Ou dizer para uma pessoa que acabou de perder o emprego que isso aconteceu porque ela era lenta demais?! Ou dizer para uma pessoa que está lutando muito para alcançar um sonho e um objetivo que ela não conseguirá porque não é perseverante?!
Freud dizia que toda brincadeira era na verdade uma expressão do inconsciente, assim como os sonhos e os atos falhos, ou seja, algo parecido com “toda brincadeira tem um fundo de verdade”. Se assim for, só posso concluir que os brincalhões de plantão são apenas pessoas covardes!!! Pessoas que tem medo de dizer o que pensam e se escondem por trás das brincadeiras...........
A grande piada disso tudo e que infelizmente os brincalhões não percebem é que apesar de ter companhia eles estão sempre sós ou se sentindo completamente sós. Por que será, não? Será porque quem cospe para cima recebe o cuspe na testa? Será porque toda ação tem uma reação e quando machucamos alguém acumulamos energia de dor em nosso campo energético?
Talvez a física quântica explique a solidão dos brincalhões melhor que a filosofia e o esoterismo............ E se você é um brincalhão e está lendo este texto lembre-se SEMPRE: toda ação tem uma reação [lei básica da física]. Se não é, ótimo!!!.. Praticar a gentileza é quase sinônimo de receber beleza na própria vida.
*** Jardineiros queridos: finalmente estou de volta!!!! E estou cheia de saudades de todos!!!! Obrigada pelas visitas e pela paciência, rs* ... Aproveito o post de hoje para dizer que farei um show no bar Santa Cecília na segunda-feira dia 26/06 junto à banda Joints – quem estiver no Rio e quiser aparecer será um imenso prazer ***
SHOWZINHO
Data: 26/06/06
horário: a partir das 21h
Local: Santa Cecília
Endereço: Lopes Quintas, 321, Jd. Botânico
Tel: 2274-4504

foto: Fabio Azanha www.olhares.com
:: O nome da Musa ::
Não te chamo Eva,
não te dou nome nenhum de mulher nascida,
nem de fada, nem de deusa, nem de musa, nem de sílaba, nem de terras,
nem de astros, nem de flores.
Mas te chamo a que desceu do luar para causar as marés e influir nas coisas oscilantes.
Quando vejo os enormes campos de verbena agitando as corolas,
sei que não é o vento que bole, mas tu que passas com os cabelos soltos.
Amo contemplar-te nos cardumes das medusas que vão para os mares boreais,
ou no bando das gaivotas e dos pássaros dos pólos revoando
sobre as terras geladas.
Não te chamo Eva,
não te dou nenhum nome de mulher nascida.
O teu nome deve estar nos lábios dos meninos que nasceram mudos,
nos areais movediços e silenciosos que já foram o fundo do mar,
no ar lavado que sucede as grandes borrascas,
na palavra dos anacoretas que te viram sonhando
e morreram quando despertaram,
no traço que os raios descrevem e que ninguém jamais leu.
Em todos esses movimentos há apenas sílabas do teu nome secular
que coisas primitivas escutaram e não transmitiram às gerações.
Esperemos, amigo, que searas gratuitas nasçam de novo,
e os animais da criação se reconciliem sob o mesmo arco-íris;
então ouvireis o nome da que não chamo Eva
Nem lhe dou nenhum nome de mulher nascida.
[Jorge de Lima]
*** Há 4 anos atrás um homem encantador recitou esse poema em meus ouvidos... Nem preciso dizer que me fisgou, né? Rs*... Estamos juntos até hoje e além de amar esse homem aprendi a amar o poeta Jorge de Lima. Esse poema MA-RA-VI-LHO-SO está no livro A túnica inconsútil que foi reeditado pela Record recentemente, vale a leitura. ***
:: Fanaticuns :: Foto: Adelaide Teles www.olhares.com Imaginem se um extraterrestre recebesse a missão de fazer uma visita ao Brasil justamente no período da copa do mundo. O que constaria em seu relatório? Imagino que algo do tipo: O fanaticum é um povo extremamente religioso! Recita um mantra todas as vezes que onze divindades aparecem numa caixa preta que emite luz com as seguintes palavras: “eu, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. A maioria deles se veste com túnicas verdes e amarelas, tanto para realizar rituais sagrados, passear ou trabalhar. As fêmeas fanaticum usam pequenas roupas nas cores sagradas [que cobrem apenas seus seios e sexo] quando querem atrair o macho fanaticum para a cópula. Pinduricalhos, bandeiras, tiras de plástico e bolas nas cores sagradas enfeitam a terra dos fanaticuns. Há exaltação ao divino nos carros, nas casas, nos postes das ruas, nos estabelecimentos, nos matérias escolares das crianças, nas mamadeiras dos nenéns, nas embalagens de alimentos, nos jornais, nos livros, nas unhas das moças, etc. A grande caixa preta que emite luz propaga a mensagem divinal 24h por dia. É praticamente impossível não seguir a religião naquele solo e os que arriscam e não se entregam à pregação são acusados de chatos e às vezes chegam a ser isolados. Nos dias de ritual eles se reúnem em pequenos clãs – todos vestidos com o mesmo tipo de túnica – comem um caldo cheio de grãos pretos e carne de porco, bebem um chá que altera a consciência feito de limão, açúcar e água pura, batucam em tambores e de mãos dadas repetem mantras e palavras como: “Ronaldinho, Ronaldinho”; “juiz filho da puta”; “vai, infeliz”; “pênalti; “não estava impedido porra nenhuma”; “gooooooool”.... Eles gritam, choram, se abraçam, atiram objetos na caixa preta, vivenciam um verdadeiro transe. Antes dos rituais sagrados, porém, eles acompanham notícias importantíssimas que são emitidas pela caixa preta como: “Hoje a seleção tomou café no hotel swghjtghjuythiegh”; “Ronaldo está com calo nos pés”; “brasileiras rebolam e mostram o requebrado da mulata em shghfthuyghjksj”, Nas horas vagas, os fanaticuns frequentam uma pizzaria famosíssima chamada CPI – pelo que entendi as pizzas mais pedidas recebem o nome de Lula, Delubio, Palocci, Dirceu, Valério – e durante as refeições conversam sobre o mistério de um teatro chamado Belíssima e de vez em quando sobre uma moça que está trancada em casa e não pode sair porque acham que ela cometeu um crime grave e matou os pais... Pobrezinha.... Sorte a do ET , não? Que recebeu a missão de fazer um relatório e partir em seguida. Sério, não estou agüentando mais esse fanatismo, essa loucura toda com a copa do mundo e a seleção brasileira. Acho que tive um piripaque semana passada de intoxicação de copa do mundo, isso sim – vale lembrar que eu não gosto de futebol ... Aff! De qualquer forma, estarei torcendo pela seleção canarinho...... *** Bom “ritual” para todos vocês [minha parte preferida do ritual é quando todos bebem o chá sagrado feito de limão, água pura e açúcar, rs*]
Os antigos dizem que a alma dos nossos entes queridos só descansa após a celebração de uma missa de sétimo dia. Mas quem consegue pensar em missa quando o coração está prestes a estourar de tanta dor?
Para que a missa saia exatamente no sétimo dia do falecimento do ente é preciso iniciar a produção com antecedência: procurar uma igreja com data disponível, escolher as flores, o discurso, telefonar para os convidados, etc, etc, etc.
Mas quando os sentidos estão anestesiados e qualquer soluço é motivo para um dilúvio fica extremamente difícil pensar em outra coisa que não seja o porquê de tanto sofrimento, e, produzir um adeus torna-se uma tarefa praticamente impossível até mesmo para uma Alicinha Cavalcanti.
Quando Nico&Tina partiram fiquei desnorteada, afinal, eles fizeram parte de todos os momentos de minha vida. Foram os amigos mais fiéis que tive, por isso quase perdi o prumo quando eles se foram.
Fui forte, apesar da dor. Me agarrei aos sonhos e aos desejos que eles tinham deixado para traz e jurei para mim mesma que faria o possível e o impossível para realiza-los. Entre eles, estava a desintoxicação alimentar, a prática de yôga e exercícios de canto. Agir dessa forma me ajudava a superar o trauma.
O que eu não imaginava é que eles voltariam para me assombrar e de certa forma cobrar a missa de sétimo dia que não fui capaz de realizar.
Na terça-feira da semana passada o casal apareceu em meu quarto. Senti um calafrio na espinha quando aquele vulto negro pairou sobre minha cama. Não imaginei que fossem eles. Cobri a cabeça e comecei a rezar um pai nosso, mas quanto mais eu rezava, mais eles pareciam zombar de minha aflição. Adormeci pedindo proteção, petrificada de medo.
Acordei com muita dor de cabeça [fato inédito em minha vida] e vomitando bastante. Passei o dia com náusea, chorando, assustada com aquele estado de saúde estranho e repentino. Fui para um pronto-socorro e logo chegou o diagnóstico: síndrome de abstinência de tabaco seguida de uma crise ansiosa.
Para piorar a situação tive uma intoxicação alimentar e o resultado desse conjunto de fatores desagradáveis foi: quatro dias de repouso absoluto, medo, ansiedade, náusea, tontura, vômitos, choro excessivo e muito cafuné do namorado.
Agora que melhorei um pouco, estou pensando se devo realizar, afinal, a missa que faltou ou procurar um exorcista. Aceito sugestões!!! Minha concentração está pééééssima e meu humor meio embotado. Estou vulnerável e sinto que a qualquer momento Nico&Tina podem se apoderar de meu corpo... A única coisa que consigo fazer é chorar, chorar, chorar...
Ah, se eu tivesse escutado minha mãe aos 12 anos, quando ela me disse, várias vezes, que esse casal não era companhia para mim, que eles eram amigos da onça, isso sim...
*** Pessoas queridas, tá difícil estabelecer uma rotina na vida real depois que parei de fumar, na virtual, então... Me falta concentração, vontade e blábláblá... Mas não vou desistir, tenham paciência comigo e torçam por mim, ta?!!! Risos***
Uma ótima semana para todos, beijos e até
MM


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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Mulher
Outro - Autora do livro Mulher de Minutos