:: Eu não faço nada por obrigação ::
Compartilho a mesma idéia de Walt Whitman: “ Eu não faço nada por obrigação, eu faço por impulso de vida [como haveria eu de fazer por obrigação os gestos do coração?]. Por isso não tenho postado textos diariamente.
Eu até que gostaria de ser uma máquina de criatividade que jorra palavras, sentimentos, esperança, sabores e aromas ao vento todas as manhãs, mas sou apenas um ser humano inquieto com alma de criança - não me contento com uma bala de marmelo, quero sempre provar os outros doces da loja, mesmo que minha barriga doa ao final do passeio.
Não escrevo por escrever. Nem aos quinze anos o fazia. Não me imagino, por exemplo, postando uma frase sem sentido no blog só para que as pessoas pensem que sou excêntrica, tampouco escrevendo que estou sem inspiração. Cada pessoa tem um estilo e uma proposta. Visito blogs de pessoas que tenho carinho e admiração que às vezes escrevem simplesmente o que vivenciaram no fim de semana e eu adoro isso, pois me sinto participando da vida delas de alguma forma, mas eu, infelizmente, não consigo agir assim. Não sei, mas fico com a impressão de que estou devendo algo às pessoas que me lêem e principalmente a mim mesma.
Os empreendedores dizem que para vendermos um produto precisamos gostar dele. Penso que o mesmo se aplica ao ato de escrever [no meu caso]. Se um texto que escrevo não me diz muita coisa, imagino que não dirá ao próximo, então, o deleto imediatamente. Tenho amigos que brigam comigo por causa disso, dizem que é exatamente o contrário, que um texto que não me serve para nada pode tocar alguém... Será que sou egoísta?! Não sei, só sei que não consigo!
Nos últimos tempos eu tenho andado brigada com meus textos. Essa briga está me tirando boas noites de sono. Mas nada posso fazer contra a picada fatal de cobras como Goethe, Sartre, Baudelaire, Bob Dylan, Clarice entre outros. O veneno já está em minhas veias e se manifesta todas as vezes que penso em escrever. Sinto falta de ar, taquicardia, vontade de chorar, vontade de sumir, vontade de gritar, vontade de fugir. Fico tão consumida por essas vontades que sequer consigo mexer um dedo.
O veneno dessas cobras está matando meus textos dia após dia – nada parece ter valor depois que meu sangue se misturou... Mas como do veneno também se faz o soro eu aguardarei pelo dia em que eu possa aprender a dosagem que me eleva. Por enquanto, tentarei rabiscar alguns sonhos nesse canteiro Fina Flor.
*** A vocês, jardineiros fiéis, peço desculpas pelo sumiço essa semana, mas tive muitas pendências para resolver e ainda por cima fiquei dodói. Assim que puder farei uma visita a todos. Por ora, deixo os versos de Helder Câmara agradecerem por mim o carinho de vocês:
Existem
criaturas
como a cana.
Mesmo postas
na moenda,
reduzidas
a bagaço,
só sabem
dar doçura.









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