:: Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é ::

É muito fácil escrever e/ou defender a idéia de que devemos aceitar as diferenças alheias, bem como respeita-las. Agir dessa forma também não é complicado – basta um pouco de diplomacia e compaixão. O difícil é não sentir vontade de vomitar nos pés de algumas pessoas extremamente opostas a nós. Eu, por exemplo, vivo engolindo vômitos imaginários. Não porque sou uma narcisa de carteirinha e gostaria que as pessoas fossem iguais a mim. Longe disso. Tem dias que nem eu mesma me agüento...
Mas, por exemplo, eu não agüento gente careta!!!! Quem é essa gente? Acho que são aquelas pessoas que sustentam um ar de “ainda vencerei”. Aquelas que sempre agem de acordo com o que os outros esperam delas. As que não arriscam e se contentam com pouco... Ah, e claro, as que se vestem de acordo com os catálogos das lojas, nunca mataram aula, nunca fizeram uma loucura de amor, nunca tomaram porre e vomitaram na manhã seguinte e o mais importante: nunca ousaram ser diferente daquilo que os outros queriam que elas fossem.
Eu respeito essas pessoas, mas não admiro. Claro que entendo que cada pessoa é singular, tem sua história, seus medos, inseguranças e afins. Assim como compreendo que cada família é um universo cheio de signos e símbolos próprios e que cada ser em si os absorve como pode. Mas será que elas entendem isso? Experimente tomar um porre na frente de algumas dessas pessoas caretas! Ou contar-lhes uma locura de amor!!! Bááá... Você ficará para sempre estigmatizado como um louco inconsequente.
Geralmente elas são certinhas por fora, mas desmazeladas por dentro!!!! Suas casas são perfeitamente arrumadas [ na maioria das vezes sem nenhum toque pessoal, parecem lojas de departamento], as roupas sempre bem passadas e os cabelos sempre limpos, cheirosos e escovados. Porém, vinte de minutos de conversa com elas é o suficiente para perceber que elas não vivem, mas, sobrevivem ao anseio de serem perfeitas e aceitas.
Será que elas nunca cansam dessa fantasia? Será que realmente são felizes com essa idéia absurda de controle absoluto das coisas [a chamada perfeição]? Se são felizes, por que desmoronam frente a uma pequena decepção amorosa ou profissional e uma crítica?
Não, eu realmente não consigo conter o enjôo diante dessas pessoas . Mas, seguirei as respeitando, sempre, pois como diz o Caetano "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"... Apenas não aceitarei, NUNCA, que me "olhem como se a polícia andasse atrás de mim"...















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