Os antigos dizem que a alma dos nossos entes queridos só descansa após a celebração de uma missa de sétimo dia. Mas quem consegue pensar em missa quando o coração está prestes a estourar de tanta dor?
Para que a missa saia exatamente no sétimo dia do falecimento do ente é preciso iniciar a produção com antecedência: procurar uma igreja com data disponível, escolher as flores, o discurso, telefonar para os convidados, etc, etc, etc.
Mas quando os sentidos estão anestesiados e qualquer soluço é motivo para um dilúvio fica extremamente difícil pensar em outra coisa que não seja o porquê de tanto sofrimento, e, produzir um adeus torna-se uma tarefa praticamente impossível até mesmo para uma Alicinha Cavalcanti.
Quando Nico&Tina partiram fiquei desnorteada, afinal, eles fizeram parte de todos os momentos de minha vida. Foram os amigos mais fiéis que tive, por isso quase perdi o prumo quando eles se foram.
Fui forte, apesar da dor. Me agarrei aos sonhos e aos desejos que eles tinham deixado para traz e jurei para mim mesma que faria o possível e o impossível para realiza-los. Entre eles, estava a desintoxicação alimentar, a prática de yôga e exercícios de canto. Agir dessa forma me ajudava a superar o trauma.
O que eu não imaginava é que eles voltariam para me assombrar e de certa forma cobrar a missa de sétimo dia que não fui capaz de realizar.
Na terça-feira da semana passada o casal apareceu em meu quarto. Senti um calafrio na espinha quando aquele vulto negro pairou sobre minha cama. Não imaginei que fossem eles. Cobri a cabeça e comecei a rezar um pai nosso, mas quanto mais eu rezava, mais eles pareciam zombar de minha aflição. Adormeci pedindo proteção, petrificada de medo.
Acordei com muita dor de cabeça [fato inédito em minha vida] e vomitando bastante. Passei o dia com náusea, chorando, assustada com aquele estado de saúde estranho e repentino. Fui para um pronto-socorro e logo chegou o diagnóstico: síndrome de abstinência de tabaco seguida de uma crise ansiosa.
Para piorar a situação tive uma intoxicação alimentar e o resultado desse conjunto de fatores desagradáveis foi: quatro dias de repouso absoluto, medo, ansiedade, náusea, tontura, vômitos, choro excessivo e muito cafuné do namorado.
Agora que melhorei um pouco, estou pensando se devo realizar, afinal, a missa que faltou ou procurar um exorcista. Aceito sugestões!!! Minha concentração está pééééssima e meu humor meio embotado. Estou vulnerável e sinto que a qualquer momento Nico&Tina podem se apoderar de meu corpo... A única coisa que consigo fazer é chorar, chorar, chorar...
Ah, se eu tivesse escutado minha mãe aos 12 anos, quando ela me disse, várias vezes, que esse casal não era companhia para mim, que eles eram amigos da onça, isso sim...
*** Pessoas queridas, tá difícil estabelecer uma rotina na vida real depois que parei de fumar, na virtual, então... Me falta concentração, vontade e blábláblá... Mas não vou desistir, tenham paciência comigo e torçam por mim, ta?!!! Risos***
Uma ótima semana para todos, beijos e até
MM